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19/4/2006 19:45:57
AIRTON ROCHA

AIRTON ROCHA
Ninguém quer ser presidente da Associação Riograndense de Propaganda. Pelo menos é o que se depreende do fato de nenhuma chapa ter sido inscrita até as 18h00 dessa quarta-feira, quando se encerrou o prazo definido para as eleições da nova Diretoria da entidade.
Sobre isso fomos conversar com o atual presidente da ARP, Airton Rocha.

Adonline: Qual a sua sensação ao constatar que não há interessados em assumir a presidência da entidade?
Airton Rocha: é uma sensação ambígua, porque pode se fazer pelo menos duas leituras desse fato. De um lado há uma decepção, porque parece que a entidade não tem importância alguma para o mercado. Por outro lado, posso pensar que minha administração foi tão boa que as pessoas se assustam, com medo de não conseguir fazer pelo menos igual ao que fizemos.
Mas na verdade, isso demonstra o descaso do mercado com a sua principal associação. Todo mundo está preocupado apenas com o seu próprio negócio, sem se dar conta que existe algo maior, que influencia diretamente no desempenho de sua empresa, que é o mercado. E para preservar esse mercado, faze-lo crescer é preciso uma atuação institucional, corporativa, associativa.

Adonline: Uma das maiores reivindicações, queixas do mercado, antes de sua administração era a volta dos Anuários de Criação. Você fez um grande esforço para atualizar os Anuários. Perguntamos: quantos exemplares conseguiu vender da última edição?
Airton Rocha: Não chegam a 100 vendidos. Isso que nós imprimimos 1.000 exemplares, porque se imprimíssemos apenas 100, o preço individual teria que ser em torno de R$ 500,00 e aí não venderíamos mais que três. Para não causar prejuízo aos anunciantes do Anuário, que nos ajudaram a subsidiar seu custo, estamos distribuindo gratuitamente um exemplar para cada uma das 500 maiores agências brasileiras, segundo o parâmetro do CENP.

Adonline: E o Anuário 2005, vai sair?
Airton Rocha: Claro que sim. Na próxima terça-feira, 25, às 19h30, vamos fazer um lançamento do Anuário 2005 no Jardim Botânico de Porto Alegre, junto com o lançamento da marca dos 50 anos da ARP. Esse novo anuário vem com 90 páginas a mais do que o do ano passado, num reflexo direto do aumento do número de peças inscritas no Salão da Propaganda.

Adonline: Parece que para o mercado gaúcho a importância da ARP se resume ao Salão da Propaganda. É isso?
Airton Rocha: Infelizmente, parece que sim. Nós fomos convidados pelo Congresso Nacional a discutir a regulamentação da profissão de publicitário, nós aproximamos a entidade do mercado, das universidades, fizemos a interiorização da ARP e nada disso é valorizado. O que fica é se o Salão foi bem feito ou mal feito.

Adonline: E se, mesmo depois de um possível mandato tampão de três meses, não aparecerem interessados em assumir a entidade, o que poderá ser feito?
Airton Rocha: Bem, eu estou cansado, desestimulado pela falta de participação do mercado. Não quero mais ser Dom Quixote. Se não houver chapa para concorrer à presidência, se não aparecer interessados em tocar a entidade, então que se feche a entidade. O que parece um absurdo quando ela está prestes a completar 50 anos. Mas fazer o que, se o mercado parece não lhe dar importância?


“Se ninguém quiser assumir a ARP, então não resta outro caminho que não fechar a entidade.”

 



 
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