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28/12/2005 16:29:59
STALIMIR VIEIRA

STALIMIR VIEIRA
Stalimir Vieira tem 30 anos de profissão. Sua história completa (bem... quase completa) está no Vida de Criativo da edição 99 da revista Press advertising. Redator de formação, começou em pequenas agências em Porto Alegre, como Promox e Quadrilha, saltou para grandes como DPZ, W/Brasil, MPM, em São Paulo, e DDB argentina. Também foi professor da ESPM, tem dois livros publicados – Raciocínio Criativo na Publicidade e Marca: o que o coração não sente os olhos não vêem – é colaborador do jornal Propaganda e Marketing e palestrante do projeto Comunicar e Crescer, da Abap, destinado a pequenos e médios empresários. É diretor-geral da Stalimir Publicidade e da Stalimir Marketing Político e Comunicação Institucional. Site: www.stalimir.com
Ele falou para o Saia Justa.

Adonline: Tem muita incompetência na propaganda brasileira, hoje?
Stalimir: A propaganda não se diferencia de outras atividades, tem sua parcela de incompetência também. Como tem sua parcela de desonestidade. Quando você pega um Marcos Valério da vida, não adianta dizer que ele não é publicitário. O cara tem duas agências de propaganda e é um sujeito desonesto, corrupto. Então, como em todas as outras atividades, nós temos nosso lado de incompetência, nosso lado desonesto, de condutas inadequadas. Mas não é a maioria. Felizmente, o nosso negócio é pautado pelo profissionalismo, pela seriedade, pela construção eficiente das grandes marcas que têm no Brasil. O Brasil é um país que não se tem mais o que questionar nem o que discutir em termos de qualidade como o mercado publicitário. Está entre os três países de propaganda mais criativa do mundo.

Adonline: As entidades estão conseguindo fazer um bom combate a esses setores que não trabalham com ética? Ou a liberdade deles ainda é muito grande?
Stalimir: Há um empenho muito grande, as entidades estão trabalhando de forma equilibrada, com bom senso, com critério Também não adianta a entidade tomar as dores de quem não anda com correção, já houve tentativas de fazer as entidades serem mais corporativistas, mas a entidade não tem o papel de acobertar a incompetência e muito menos a corrupção. Então, o trabalho é de combate mesmo. Mas como é que se combate isso? Estimulando e colaborando com a investigação.

Adonlie: No Segundo Congresso Gaúcho das Agências de Publicidade, Dick Schertel, o presidente do capítulo RS da Abap, fez a pergunta “por que é tão difícil nos unirmos?” Você teria uma resposta?
Stalimir: Eu acho que existe, primeiro, uma desunião causada pelo tradicional egocentrismo dos publicitários. São muito vaidosos, o que não quer dizer que sejam incompetentes, mas têm esses defeitos de egocentrismo e excessiva vaidade, às vezes uma competitividade meio exacerbada, falta um espírito de classe. E existe também certo acovardamento. As pessoas estão com medo de falar, certo medo compartilhar seus problemas, demonstrar fragilidades. Mas isso não está conseguindo ser disfarçado porque o mercado acaba se fragilizando como um todo. Quando o mercado está fragilizado, está todo mundo fragilizado. Então, em vez de ficar tentando enganar a concorrência dizendo que se está firme forte, robusto, é hora de sentar mesmo e falar de seus problemas e daquilo que está provocando essa perda de resultados, perda de lucratividades nos negócios e essa falta de poder de negociação, de impor as suas condições. Eu acho que mais do que nunca o mercado precisa estar unido. Para isso, ele precisa superar seus defeitos congênitos: vaidade, egocentrismo, competitividade exacerbada, medo de demonstrar fragilidade.

Adonline: Desde o segundo semestre de 2003 você tem feito palestras para e procurando trabalhar no mercado de pequenos e médios anunciantes. Esse é um mercado novo para a publicidade?
Stalimir: Não deixa de ser um mercado novo porque potencialmente esses poderão vir a ser os grandes anunciantes de amanhã. Mesmo as pequenas agências, para quem a gente tem dado consultoria, têm todo o potencial para serem agências médias ou grandes, competitivas. Talvez seja um mercado pouco interessante para quem está com vontade de ganhar muito dinheiro muito rápido, porque dá trabalho e é sacrificado, e a rentabilidade é sempre pequena e é muito pulverizado.

Adonline: Mas tem dado resultado, estão aparecendo novos pequenos anunciantes?
Stalimir: O “Comunicar e Crescer” tem sido quase um trabalho de catequese. Ele vai plantar sementinhas pelo país inteiro. Falamos com 11 mil pequenos e médios empreendedores em 45 cidades brasileiras. A gente está plantando a mensagem, e com isso naturalmente se vai despertando uma vontade de se utilizar das ferramentas do marketing e da publicidade. Tenho recebido muito retorno por e-mail de pessoas que assistiram a este seminário manifestando-se extremamente gratificadas pelo que a gente fez e muito dispostas a começar a empreender um trabalho profissional junto a uma agência de propaganda.Agora, isso precisa de tempo e de persistência. Não são ações isoladas, atemporais. É preciso dedicar-se sistematicamente à consolidação da necessidade da publicidade e do marketing na construção de marca para esses pequenos e médios empreendedores.

 



 
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