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25/7/2005 16:09:04
JOÃO FIRME

JOÃO FIRME
João Firme de Oliveira, secretário-Geral da ALAP, é um daqueles de quem a lenda poderá dizer daqui a alguns anos: ele não sabia que era impossível, foi lá e fez. O Festival de Publicidade de Gramado, por exemplo, só existe por causa dele. E, às vezes, apesar dele. É um fazedor. Enquanto muita gente até com mais condições fica apenas teorizando, ele, com todas as suas limitações, vai e faz. Tão simples assim.
Nós da Press Advertising somos fãs de carteirinha do Festival de Gramado. Tanto que, em vários anos, publicamos edições diárias da revista nos três dias do evento. Tanto que, por outros tantos anos, organizamos a exposição de mídia impressa. E em todos os que participamos, fizemos coberturas generosas e sempre demos força. Continuamos assim. Mas isso – e talvez, por isso mesmo - não nos impede de criticar quando achamos que devemos. No sentido da melhor contribuição ao festival.
A sua 15ª edição, realizada, em junho passado, foi a mais tumultuada e menos interessante a que assistimos nos últimos anos. Talvez, porque o comparativo com a edição anterior – a melhor de todas até agora – lhe tenha sido prejudicial.
Certamente não foi por falta de empenho dos abnegados colaboradores do João Firme nessa empreitada – o presidente Alberto Freitas à frente. Mas as dificuldades apresentadas não podem ser ignoradas, sob pena de fazer naufragar um dos eventos mais importantes da publicidade brasileira e mundial. Provocar a esse respeito é nossa contribuição.
Este Saia Justa com o João Firme de Oliveira tem esse sentido.


Adonline: Depois de um festival de altíssimo nível e que deixou a todos impressionados, em 2003, neste ano o festival mundial de publicidade de Gramado parece ter desagradado em geral aos participantes. O que houve?
João Firme: Como sabes, somos avessos às entrevistas. Elas devem ocorrer com os presidentes que indicamos (ALAP) com a concordância do Sindicato das Agências (SAPERGS), ABAP/RS e ARP. De dois em dois anos adotamos o sistema de rodízio na presidência do Festival Mundial de Publicidade de Gramado, convidando um profissional de conceito no mercado gaúcho.
Temos como positivo matérias publicadas em importantes veículos de comunicação segmentados entre os quais destacamos About, Meio & Mensagem, Caderno Propaganda & Marketing (não conhecemos ainda a opinião da Press Advertising ). Os eventos ocorridos em 2003 e 2005 foram similares e conseguimos administrá-los com a mesma galhardia, autenticidade e simplicidade. Ambos entraram para a história da propaganda latino-americana e institucionalizaram o Festival de Gramado como o maior evento cultural de conhecimento da América Latina.

Adonline: Problemas como superlotação de auditório, ausência de vários palestrantes, debates mornos, uma feira acanhada e até coisas bizarras como a queda do palco na hora da entrega dos prêmios é tudo fruto da fatalidade ou houve erros da organização?
João Firme: A superlotação nas dependências da Expogramado aconteceu em razão do grande número de inscritos e convidados do Festival e da Feira da Comunicação. Na verdade, o sistema online de inscrição pela Internet caiu em 3.000. Com esta quantidade de público podíamos administrá-lo, partindo do princípio de que 20% vão a Gramado para olhar e observar (na maioria profissionais) e por isso dividimos o público nos auditórios 1 e 2. Podia-se observar que nos dias 9, à tarde, e 10 de junho, em alguns painéis existiam lugares disponíveis.
Sobre a ausência de palestrantes, permita-nos discordar, pois o programa só foi liberado (publicado) 48 horas antes e nem constou dos folders promocionais em português, espanhol e inglês distribuídos às agências e imprensa. Em virtude da crise política em Brasília, tivemos duas ausências lamentáveis de personalidades: o ex-Ministro Luiz Gushiken e Mauro Salles. Luiz Gushiken alterou três vezes o programa e no dia 3, sexta-feira,solicitou o horário das 10 horas do dia 9, cancelando dia 10 de junho, às 16 horas, ele e Mauro Salles foram chamados a Brasília no dia 8.
Em 2003, não compareceram alguns astros da publicidade, embora tivéssemos divulgado através de anúncios em revistas e jornais: Washington Olivetto e Marcelo Serpa. E não fizeram falta. O público não reclamou.
Quanto aos debates mornos, não cremos que seja esta a opinião da maioria dos inscritos.
Sobre a Feira, esta não pertence à ALAP. Em 2003, a própria Expogramado administrou a área e este ano a locou para uma agência, mas concordamos que essa deve ser administrada pela ALAP, por ser parte importante do Festival.
A queda do palco foi um incidente lamentável , um erro na remontagem que estamos apurando quem foi o responsável.

Adonline: Já foi feita uma avaliação quanto ao que precisa ser mudado no festival? Qual o rescaldo feito dessa 15 edição, acontecida no mês passado?
João Firme: Já fizemos a avaliação do evento, tendo sido apresentada ao presidente Alberto Freitas, e podemos adiantar que o saldo é positivo, pois foi o mais internacionalizado e com temas culturais de conhecimento.

Adonline: Não está na hora de profissionalizar mesmo o Festival e deixar de contar apenas com a boa vontade de pessoas abnegadas?
João Firme: O Festival vem sendo profissionalizado a cada edição e a meta é profissionalizar ainda mais o 16º Festival de Gramado. Será mantido o Comitê Organizador formado por profissionais e estes liderados pelo presidente do Festival em nome da ALAP.

Adonline: A ALAP está anunciando uma edição extra do festival para o ano que vem, em Buenos Aires. Não pode se repetir a frustração ocorrida em Paris, no ano passado?
João Firme: Permita-nos discordar do termo frustração da Edição Extra do Festival de Gramado em Paris. Não foi essa a opinião do Embaixador Sérgio Amaral, do Governador Germano Rigotto, de Mauro Salles, patrono do evento e de Marcelo Serpa, presidente do júri online. O objetivo em Paris foi tornar conhecido o Festival de Gramado e o alcançamos. Foi em conseqüência dessa promoção que compareceram a delegação da China, França e México. O público presente foi de 90 convidados pelo Embaixador Sérgio Amaral e Reinaldo Lopes, todos de uma lista previamente preparada pela AACC - Associação de Agências e Conselho de Comunicação e o Embaixador. A imprensa internacional, como a Press Advertising, esteve presente. Fomos entrevistados na Embaixada por nove jornalistas estrangeiros e quatro brasileiros. Paris foi delineado para ser um evento simples onde eram estrelas os anúncios e comerciais inscritos, enviados e julgados pela Internet, uma iniciativa arrojada e que inovou os festivais de publicidade. Gramado é o primeiro depois de Cannes, Londres e Clio que sai de seu país como produto de exportação. Buenos Aires é a meta do novo presidente do Conselho de Representantes Internacional, Pablo Braña, escolhido dia 10 de junho em Gramado. Pablo é o dono da Publimen Comunicación, da capital argentina, tendo adotado em sua agência a metodologia da ALAP no ensino das Normas ISO 9001:2000, conseguindo esta certificação, sendo a primeira no seu país. Ele propôs realizar a Edição Extra no dia 7 de setembro de 2006 na Embaixada do Brasil em Buenos Aires; em 2008 em Santiago do Chile e 2010 em Montevidéu.

Adonline: O que está sendo planejado para a 16a. sexta edição do festival, em 2007?
João Firme: Com referência ao Festival de Gramado de 2007, uma coisa é certa: mudamos de local para atender à demanda, pois o Festival de Gramado é um evento de marca.

 



 
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