Tadeu Viapiana
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Economista, Diretor da Novacentro Comunicação e Marketing


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Juro e concorrência | 24/07/2012

 

Na semana passada comentei aqui que um dos maiores desafios para fazer os juros baixos chegarem aos consumidores seria reduzir as taxas praticadas pelo crédito no varejo e nos cartões. Disse, ainda, que mesmo depois da queda da taxa Selic, há mais de dois meses, o financiamento no varejo e nos cartões continuava num nível muito alto.

Tanto isso é verdade, que em matéria publicada no dia 20 de julho no Estado de São Paulo, jornalista Wladimir D’Andrade mostra que o Brasil possui a maior taxa de juros no cartão de crédito em comparação com outros seis países da América Latina, com  uma taxa anual de mais de 300% ao ano.

Todos os países lationamericanos usados na comparação – Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Venezuela e México – têm juros significativamente menores. O maior deles, o Peru, é de 55% ao ano, cinco vezes menos do que o Brasil.

Diz a matéria: “De acordo com a Proteste (a entidade que fez o levantamento), os juros cobrados no crédito rotativo são uma das causas do crescente endividamento dos brasileiros. A taxa média atual está em 12,77% ao mês, o que leva aos juros de 323,14% ao ano. No Chile, o terceiro país do grupo com maior taxa média, a cobrança chega a 54,24% ao ano; na Argentina a 50% anuais; no México a 33,8%; na Venezuela a 33%; e na Colômbia a 29,23% ao ano.” Mesmo em países que têm inflação mais alta do que o Brasil, como é o caso da Venezuela e da Argentina, os juros são bem menores.                                                                                                                        

Já mencionei aqui que um dos problemas do alto custo dos juros dos cartões é a falta de concorrência.  A Folha de São Paulo, em editorial publicado no domingo (22/07) cita um dado revelador: “oduopólio Cielo-Redecard detém cerca de 90% do mercado de credenciamento de cartões no Brasil, que engloba o processamento e a liquidação financeira das transações de crédito e débito das principais bandeiras -Visa e Mastercard”. 

Ainda segundo a Folha, a receita as empresas credenciadores é de  aproximadamente 1,2% do valor na operação de crédito e 0,75% na de débito. Para se ter uma ideia do custo para o clientes, nos Estados Unidos, ele gira em torno de 0.4%.

Os bancos que emitem os cartões ganham mais ou menos a mesma coisa, além dos custos de anuidade dos cartões e ainda o juro do crédito rotativo. “Trata-se de um negócio excepcional para ambos”, diz o editorial. “Afinal, a expansão do consumo, com o crescente uso de meios eletrônicos de pagamento, fez com que o volume financeiro total dos cartões saltasse de R$ 65 bilhões em 2000 para mais de R$ 670 bilhões em 2011”.  

Mas não é só isso. Existem duas grandes empresas que operam os serviços, a Redecard e a Cielo. A Redecar é controlada pelo Banco Itaú, que detém 50,01% das ações; a Cielo, pelo Banco do Brasil e Bradesco que possuem 57,3% das ações. “Tal simbiose sugere, no mínimo, questões de conflito de interesse e falta de transparência”, conclui o jornal.  

Não é preciso ser esperto para perceber que os bancos não têm nenhum interesse em maior concorrência no segmento.  Talvez seja hora das instituições reguladoras entrarem em campo.




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