Tadeu Viapiana
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Economista, Diretor da Novacentro Comunicação e Marketing


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A hora de apertar os cintos | 16/07/0012

 

Novos dados publicados nos últimos dias indicam que o problema da inadimplência é mais grave do que parece: 27% do total das operações realizadas com cartão de crédito estão com atraso de mais de 90 dias. São 10 bilhões de reais que deixaram de ser pagos aos bancos e às operadoras de cartão.

O endividamento já atinge 32% das famílias brasileiras, de todas as classes sociais. Um terço das famílias com renda entre 1 e 10 salários mínimos está envolvida em dívidas.

O comprometimento da renda com pagamento de juros e amortizações chega a 22% de tudo o que ganham as famílias. O endividamento é recurso que as pessoas têm para antecipar algum gasto futuro ou adquirir um bem de alto valor. Quando usado descontroladamente, no entanto, principalmente para financiar gastos correntes, por exemplo as compras do dia a dia, leva fatalmente à problemas graves.   

Por definição, uma dívida é a antecipação de um gasto futuro. Por isso, além de comprometer a renda presente, as dívidas representam um claro limite ao endividamento nos próximos anos. Afinal, antes de fazer novas dívidas, é preciso pagar as antigas.

Há pelo menos dois fatores que contribuíram para a formação deste quadro de endividamento generalizado.  

O primeiro deles é a crença dos consumidores de que a economia brasileira continuaria em boas condições. Que o emprego e a renda continuariam crescendo como nos últimos anos. Otimistas, foram as compras de modo descontrolado.

Em segundo lugar, os consumidores foram e ainda estão sendo induzidos a comprar mais do que o necessário pela propaganda da queda das taxas de juros. O consumidor confundiu propaganda com realidade: os juros, de fato, caíram em algumas linhas de crédito, mas essa queda ainda não chegou no cartão de crédito nem no financiamento das compras no varejo. Eles continuam astronômicos: o sujeito compra uma geladeira financiada em 12 meses e paga duas.   

Agora, as famílias não tem outra coisa a fazer senão apertar os cintos. E o governo, se quiser manter o crescimento econômico, precisa abrir novas frentes de expansão. Que tal mais investimentos em estradas, portos, hospitais, escolas.....?




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